quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Segundo
Ver
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Incenso
e meus lábios, lambendo o cheio eu tava:
e meus jogos, com os dedos brincava,
e tua face, tateando eu vinha.
Mas o cheiro, que voava eu sentia,
meio pó, teu cheiro subia;
farejando, domado eu tremia,
porque o corpo, o corpo rendia.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Papelaria
domingo, 21 de abril de 2013
Silêncio
astutamente silenciosa,
sorrindo baixinho.
Ela engana o coração dos homens,
os faz envelhecer como uma filha do tempo,
é a velha estrela da manhã,
solícita aos peitos abertos,
nus em sua essência,
e acaricia os inocentes cabelos dos que ousam ser humanos com sua pele lisa e ondulosa,
abraçando fortemente,
zunindo perto do vento,
as íris seduzidas pelas almas
sem
destino
ou
redenção.
terça-feira, 16 de abril de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Segundas-feiras
Três dedos, entrelaçados em teus cabelos negros, adentrando pensamentos, encaracolando as falanges insensíveis que tocam tua própria insensibilidade. O vórtice abandonado em teu peito inexplicavelmente plácido, palavras encenadas sussurradas, e teus olhos fechados, órbitas giratórias encontrando e desvendando, transbordando segredo. Tua envelhecida carne salgada, as frágeis mãos em teu corpo, um pouco de ti adentrando em mim, muito pouco, e ainda assim um pouco. Sinédoque das tuas pífias ações, confortando a infantilidade satírica e eloquente, que esconde no discurso a totalidade da incompreensão. A janela cintila, lá fora há luz, a pálida luz da rua, e ainda assim a mesma luz que preenche a galáxia, incandescendo os átomos perenes. Eu tenho visto teu rosto, distante mesmo colado ao meu. Teu rosto que não assimila a quântica dos sentimentos que pulsam minhas carnes frágeis. O letreiro luminoso anuncia que vá, que não olhe para trás, que não se aflija pelo pouco, o muito pouco, o resíduo que, grudado em minhas entranhas, grita desesperadamente.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Suplicantes
Eu assisti ao início da tempestade, castanhas nuvens furiosas desenrolando o céu em espirais que invadem a terra ultrajada. Eu nadei os rios atmosféricos enquanto a chuva castigava a terra, socando seus sulcos com a força de mil deuses. Anjos de olhos de harpias cantavam o fim das promessas enquanto os homens gritavam lá embaixo. Tomados de precaução, vi os pequenos se esconderem em cavernas úmidas, suando os últimos suores e recitando seus últimos poemas sofridos. As medusas ressurgiram dos túmulos em que foram enterradas, e as quimeras dançam sobre cabeças roliças do desfiladeiro dos suicidas. O ciborgue sensível não chega a nenhuma conclusão, a não ser que a única coisa que o diferencia de seus primos não vivos é a corpo em cópia. Mulheres arrancam os cabelos molhados e abandonam seus corpos nas estradas cheias de carros vazios. Uma música toca estridente, mas não há ninguém para ouvir e entender. Pássaros gigantes caçam bebês esquecidos, mordendo sua carne branca sob protestos inúteis das almas aterrorizadas com uma vingança tão justa. Eu sou o viajante preso ao tempo, incapaz de tocar a matéria que tanto deseja e vê desaparecer sob acidez e covardia. Todos os ventos transam nas nuvens, gozando gotas grossas cinzentas perenes que fecundam rochas estéreis. Eu tomei um corpo abandonado nos braços e o levei até o arranja-céu mais alto da megalópole, beijando seus lábios arroxeados e inflando a vida nas veias apodrecidas. Os pêlos nos braços se eriçam quando a matéria enlouquecida penetra a carne que se recusa a voltar. Seus olhos se abrem diante dos meus e sussurro que o amo, antes de cair sobre o peito arfante daquele que escolhi sofrer o apocalipse das consciências em meu lugar.

