É interessante como criamos planos mirabolantes para situações que sabemos que não existirão. Talvez seja, mais do uma (péssima) maneira de inventar um mundo próprio, um jeito obscuro de disfarçar tudo aquilo que somos.
A todo custo, os jovens conquistam o (patético) direito de usar calças justas, os cabelos compridos e desalinhados, as roupas da moda e as drogas que querem. A todo custo, os jovens, essas patéticas crianças um pouco crescidas, deixam de lado o papel infantil que fazem para adentrar nessa droga de mundo. A gente não sabe, não imagina, o quanto é difícil lá fora. Ou, por outro lado, o quanto é fácil lá fora.
É fácil matar alguém. É fácil se matar. É fácil se picar no braço que ainda não teve trombose, vender um pouquinho do seu tempo, explorar o amigo babaca, arrancar os intestinos daquele cara do bar, estourar a bexiga daquele merdinha de tanto dar-lhe chutes no saco. É fácil.
É fácil flertar com alguém. É fácil beijar alguém. É muito fácil levar alguém para sua casa e gozar pela primeira vez. É muito fácil tirar o vestido dela, os sapatos, a calcinha e lá vamos nós. É muito fácil levá-lo para o banheiro, as paredes úmidas e íntimas, abaixar as calças e lá vamos nós.
É muito fácil fingir que é muito fácil viver nessa droga de mundo.
Mas é difícil quando você sabe que você finge.
Você finge estar tudo bem.
Você finge que vai amar pra sempre, sem saber que, como diria Bukowski, o amor é preconceituoso. Basta olhar pra esquina. Há milhares que você amaria mais. Amar devia ser ficar no escuro, num quarto apertado, sem nunca ver o rosto, apenas viver de toques e sensações. E tudo duraria até que o ar lá dentro também durasse.
Mas não é bem assim.
Você, por incrível que pareça, está achando certas coisas. E, para nosso doce infortúnio, achamos muitas coisas. Inclusive que nosso planos mirabolantes se revelarão, como um véu de brincadeira, e que no final tudo vai dar certo.
Na verdade, tudo pode mesmo dar certo.
O sorriso pode ser correspondido. Um beijo mandado às pressas. Uma cálida sensação de feromônios no ar. Mas todos nós nunca estamos preparados. Pelo menos não de verdade. Você apenas ergue as mãos, acena e não sorri. E depois pensa que poderia ter iniciado uma longa conversa sobre jovens junkies, sobre heroína a quarenta marcos, sobre o pós-punk europeu do fim dos anos noventa.
O fato, insubstituível nesse momento, é que talvez todos nós nem nos importemos muito.
A gente deixa pra lá, e cria novos planos mirabolantes para interagir.
.
Escrito sobre os ombros.
Até a próxima, e tudo.
A todo custo, os jovens conquistam o (patético) direito de usar calças justas, os cabelos compridos e desalinhados, as roupas da moda e as drogas que querem. A todo custo, os jovens, essas patéticas crianças um pouco crescidas, deixam de lado o papel infantil que fazem para adentrar nessa droga de mundo. A gente não sabe, não imagina, o quanto é difícil lá fora. Ou, por outro lado, o quanto é fácil lá fora.
É fácil matar alguém. É fácil se matar. É fácil se picar no braço que ainda não teve trombose, vender um pouquinho do seu tempo, explorar o amigo babaca, arrancar os intestinos daquele cara do bar, estourar a bexiga daquele merdinha de tanto dar-lhe chutes no saco. É fácil.
É fácil flertar com alguém. É fácil beijar alguém. É muito fácil levar alguém para sua casa e gozar pela primeira vez. É muito fácil tirar o vestido dela, os sapatos, a calcinha e lá vamos nós. É muito fácil levá-lo para o banheiro, as paredes úmidas e íntimas, abaixar as calças e lá vamos nós.
É muito fácil fingir que é muito fácil viver nessa droga de mundo.
Mas é difícil quando você sabe que você finge.
Você finge estar tudo bem.
Você finge que vai amar pra sempre, sem saber que, como diria Bukowski, o amor é preconceituoso. Basta olhar pra esquina. Há milhares que você amaria mais. Amar devia ser ficar no escuro, num quarto apertado, sem nunca ver o rosto, apenas viver de toques e sensações. E tudo duraria até que o ar lá dentro também durasse.
Mas não é bem assim.
Você, por incrível que pareça, está achando certas coisas. E, para nosso doce infortúnio, achamos muitas coisas. Inclusive que nosso planos mirabolantes se revelarão, como um véu de brincadeira, e que no final tudo vai dar certo.
Na verdade, tudo pode mesmo dar certo.
O sorriso pode ser correspondido. Um beijo mandado às pressas. Uma cálida sensação de feromônios no ar. Mas todos nós nunca estamos preparados. Pelo menos não de verdade. Você apenas ergue as mãos, acena e não sorri. E depois pensa que poderia ter iniciado uma longa conversa sobre jovens junkies, sobre heroína a quarenta marcos, sobre o pós-punk europeu do fim dos anos noventa.
O fato, insubstituível nesse momento, é que talvez todos nós nem nos importemos muito.
A gente deixa pra lá, e cria novos planos mirabolantes para interagir.
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Escrito sobre os ombros.
Até a próxima, e tudo.
