sexta-feira, 19 de junho de 2009

#suicídio-crônico 4

Ela acordou cedo e não teve medo.
Ela desejou tudo aquilo que estava em suas mãos.
Ela permitiu-se ser feliz por alguns momentos.
Alguns momentos.
Ela sorri agora, e não teme que seu sorriso seja sua morte íntima.
Ela adoraria pensar que a vida é muito boa.
Que a superficialidade não existe.
Que as lembranças não existem.
Que os macaquinhos no seu ombro não existem.
Que ela, de fato, não pode nem sequer se imaginar não sendo feliz neste momento.
E só puramente feliz.
Batendo o coração em ritmo de vida.
Uma vida que ela deseja a si mesma e a mais ninguém.
Porque só ela conseguiria suportar o que há lá dentro.
Mas ela não sabe que nós estamos com ela.
Nós temos todos os seus medos e todas as suas podridões.
Seus vícios em forma de baforadas que desaparecem no ar sob círculos translúcidos.
Que nós sentimos tudo o que ela sente.
Ela nos ama.
Nós a amamos.
Ela sorri.
Nós sorrimos.
Ela vive.
Nós vivemos.
Ela morre.
E nós procuraremos outra pessoa para amar. Pelo menos até a próxima despedida.
.
Tudo está cheio de nós.
.
Escrito sob desprendimento e sob ameaça.
Até a próxima, e tudo.
 
 
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