Eu me enganei quando achei que as opiniões não eram eternas. Conheci um cara que dizia que a gente nunca muda. E, de fato, ninguém nunca muda. As rugas continuam nos lugares, as opiniões continuam a amadurecer e apodrecer. Eu sempre achei que minhas opiniões mudavam demais. Achei que os ramos de louro incomodavam demais. Achei que - caramba - o lixo mudava demais. Nunca fui de usar a mesma marca de creme dental. E me senti envergonhado quando a professora, na segunda série, disse que precisávamos trazer a embalagem do creme dental que nossa família usava. E todos diziam: meu pai usa Colgate, minha mãe detesta Oral-B, meu canário só escova os dentes com Close-Up. E eu ficava quieto, como muitas vezes fiquei.
Sobre as opiniões, eu continuo achando que elas podem até ser eternas, e que a gente pode até mudar. Mas o pior de tudo é quando você acha que pode experimentar duas vezes. Ou quando você acha que pode experimentar só uma vez. Você prepara a cabeça, você lava seus tênis furados, você diz pra mamãe que vai dormir na casa dos amigos e lá vamos nós com mais mentiras. Você mente que vai dar tudo certo, e que você vai conseguir manter o sorriso, ou que você vai adorar aquela comida legal. Você não tem uma mão legal, nem um umbigo legal, nem uma orelha não-pontuda. Ou, por outro lado, você prepara tudo para fugir de tudo. Você conta os dias, indeciso para saber se vai resistir à tentação daquela droguinha doce. Você pensa sobre catástofres, raios nos rostos, caras e bocas, mainstream, Iggy Pop e aquele cara dos Editors.
E então vai um alguém e diz que tudo aquilo não é hoje. Tudo o que você, inutilmente, queria e não-queria não é hoje. É com um riso agudo que você, envergonhado, diz que está tudo bem. Tudo o que você ama e não-ama pode esperar. O tempo que for.
.
Escrito para o John Travolta e seu filme idiota.
Até a próxima, e tudo.
