Você pode cogitar não ser o que você é. Você pode se esconder no fundo da sala. Você pode dar um oi instrospectivo. Você pode comer sozinho, pensar sozinho e tudo o mais. Você pode tudo. Mas não se esqueça que vai doer. Não se esqueça que vai doer toda a vez que você respirar, e dessa vez não tem mais graça. Vai doer cada centímetro do seu corpo. E você vai gostar.Você gosta quando doi. Você adora quando sente aquela pontada de terror que lhe dilata as pupilas. Você quase delira quando lembra de quando sentiu aquela pontada de suor frio e o frio que não existia.
E é por isso que você corre. Você, e não eu, corre. Você corre, desesperado, em ruelas escurinhas e úmidas. Um ratinho de olhos vermelhos roi seu pé esquerdo. Você se dispersa. Você se contrai. Você pode fazer tudo. Morder os dentes até sentir o crânio rachar. Abertar os olhos até as estrelinhas parecerem mais do que tentadoras.
Você pode tudo. Mas não pode fugir de si mesmo.
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Escrito no dia certo.
Até a próxima, e tudo.
