A vida das pessoas deveria mudar quando algo grande acontece?
Coisas como quase morrer, quase transar, quase matar, quase se dar conta de que você já viveu 1/3 do que talvez tenha e ainda passa os domingos assoando o nariz com medo de morrer.
Sempre pensei (de novo) que isso deveria acontecer. Digo, se algo muito grande acontecesse, quando acabasse você deveria estar mudado. A gente nunca está cem por cento com nada, mas se um risco eminente colocasse você na situação de existência humana que é, o teu corpo (aqueles mesmos mecanismos básicos e etcéteras) deveriam fazer você acreditar que é ou viver ou morrer.
Que não dá para continuar a ser assim.
Que os diabinhos não podem mais continuar ao seu lado (mesmo que sejam seus únicos amigos íntimos).
Que transcender para a esfera do si mesmo não é mais tão interessante quanto antes (mesmo que talvez você nunca tenha encostado na Glória).
Que o único lugar que realmente lhe pertence é o lugar onde a porcaria da sua cabeça está (e que é só isso o que você tem).
Coisas do tipo: retire seus encostos, jogue fora metade do que tem, não trabalhe e diga a sua mulher e a Diana e a Teo que você realmente os ama, mas que não vai ficar para o jantar.
E não se deixar mais cair naqueles buracos da consciência. Não se deixar mais puxarem os tornozelos para o fundo de você mesmo. Onde é muito colorido, mas muito escuro. Muito frio, mas sem vento. Ou: situações muito adversas mas sem respaldo de lhe fazerem ser feliz.
Se você, ao se deparar com coisinhas frágeis (de novo) e grandes, e não conseguir afastar todas as suas ideias, e todas as suas peneiras no coração, e tudo aquilo que não lhe muda, mas não lhe faz pior, então você pode ter bilhões de coisas grandes e você continua a ser a mesma merda de sempre.
Você não é especial. Só talvez não consiga nem mesmo chegar aos hábitos do normal.
Todo o seu sangue continuará onde está.
Colombianos franco-atiradores não serão seus companheiros de viagem.
Ensaiar sozinho uma peça que não existe continuará sendo seu passatempo favorito.
E você não vai se libertar de você mesmo. Mesmo que isso (ainda) não seja proibido.
.
Escrito, acima de tudo, para ser acima de qualquer suspeita.
Até a próxima, e tudo.
Coisas como quase morrer, quase transar, quase matar, quase se dar conta de que você já viveu 1/3 do que talvez tenha e ainda passa os domingos assoando o nariz com medo de morrer.
Sempre pensei (de novo) que isso deveria acontecer. Digo, se algo muito grande acontecesse, quando acabasse você deveria estar mudado. A gente nunca está cem por cento com nada, mas se um risco eminente colocasse você na situação de existência humana que é, o teu corpo (aqueles mesmos mecanismos básicos e etcéteras) deveriam fazer você acreditar que é ou viver ou morrer.
Que não dá para continuar a ser assim.
Que os diabinhos não podem mais continuar ao seu lado (mesmo que sejam seus únicos amigos íntimos).
Que transcender para a esfera do si mesmo não é mais tão interessante quanto antes (mesmo que talvez você nunca tenha encostado na Glória).
Que o único lugar que realmente lhe pertence é o lugar onde a porcaria da sua cabeça está (e que é só isso o que você tem).
Coisas do tipo: retire seus encostos, jogue fora metade do que tem, não trabalhe e diga a sua mulher e a Diana e a Teo que você realmente os ama, mas que não vai ficar para o jantar.
E não se deixar mais cair naqueles buracos da consciência. Não se deixar mais puxarem os tornozelos para o fundo de você mesmo. Onde é muito colorido, mas muito escuro. Muito frio, mas sem vento. Ou: situações muito adversas mas sem respaldo de lhe fazerem ser feliz.
Se você, ao se deparar com coisinhas frágeis (de novo) e grandes, e não conseguir afastar todas as suas ideias, e todas as suas peneiras no coração, e tudo aquilo que não lhe muda, mas não lhe faz pior, então você pode ter bilhões de coisas grandes e você continua a ser a mesma merda de sempre.
Você não é especial. Só talvez não consiga nem mesmo chegar aos hábitos do normal.
Todo o seu sangue continuará onde está.
Colombianos franco-atiradores não serão seus companheiros de viagem.
Ensaiar sozinho uma peça que não existe continuará sendo seu passatempo favorito.
E você não vai se libertar de você mesmo. Mesmo que isso (ainda) não seja proibido.
.
Escrito, acima de tudo, para ser acima de qualquer suspeita.
Até a próxima, e tudo.
