como pudemos esquecer daquilo que nos mantém vivos?
há, em nós, qualquer coisa seca e bolorada?
um sentimento de coisa arrancada,
de falta de calor,
de falta de tudo?
um vento que passa, violento e gritanto, e nos arranca um pedaço d'alma...?
um dias resolveremos todas as pendências,
(costumávamos dizer diante do espelho)
sorriremos para nós mesmos,
e não adiaremos ainda mais aquilo que deveria ter sido feito antes de tudo.
algo que ontem já estava atrasado,
que hoje já exala um cheiro podre,
que amanhã nos dará vontade de largar alguma coisa.
eu largaria a mim mesmo, caso pudesse.
faríamos uma fogueira com nossas coisas,
atearíamos fogo ao mundo,
e correríamos, descalços.
perdendo os pés pelo caminhos,
ao mesmo tempo em que as cinzas brancas e as brasas laranjas fariam cócegas em nossos pés.
os filhos da desolação.
as soluções à sanidade.
loucos como um delírio borrado pelo ar e amadurecido pelo fogo,
os olhos completamente
azuis?
arrancaríamos a pele enquanto nossos pés desfilam como bailarinas russas,
assassinaríamos qualquer convenção gramática,
as línguas do mundo seriam nossas,
num arranjo melancólico e sentimentalista de todas as almas do mundo,
numa coisa disforme e aquecida,
que se juntaria mais e mais,
castelos e flores e gravetos e olhos e ódios e livros esquecidos em um porão argentino,
até o mundo dormir
e os deuses nos agradecerem pela grande festa.
há, em nós, qualquer coisa seca e bolorada?
um sentimento de coisa arrancada,
de falta de calor,
de falta de tudo?
um vento que passa, violento e gritanto, e nos arranca um pedaço d'alma...?
um dias resolveremos todas as pendências,
(costumávamos dizer diante do espelho)
sorriremos para nós mesmos,
e não adiaremos ainda mais aquilo que deveria ter sido feito antes de tudo.
algo que ontem já estava atrasado,
que hoje já exala um cheiro podre,
que amanhã nos dará vontade de largar alguma coisa.
eu largaria a mim mesmo, caso pudesse.
faríamos uma fogueira com nossas coisas,
atearíamos fogo ao mundo,
e correríamos, descalços.
perdendo os pés pelo caminhos,
ao mesmo tempo em que as cinzas brancas e as brasas laranjas fariam cócegas em nossos pés.
os filhos da desolação.
as soluções à sanidade.
loucos como um delírio borrado pelo ar e amadurecido pelo fogo,
os olhos completamente
azuis?
arrancaríamos a pele enquanto nossos pés desfilam como bailarinas russas,
assassinaríamos qualquer convenção gramática,
as línguas do mundo seriam nossas,
num arranjo melancólico e sentimentalista de todas as almas do mundo,
numa coisa disforme e aquecida,
que se juntaria mais e mais,
castelos e flores e gravetos e olhos e ódios e livros esquecidos em um porão argentino,
até o mundo dormir
e os deuses nos agradecerem pela grande festa.
