Tomar-te-iria de assalto,
Como algo que é seduzido e roubado.
Sorriríamos um ao outro,
As faces ligeiramente coradas e o mundo ligeiramente aos nossos pés.
De teus lábios ouviria mil poemas sibilantes,
Contando os destinos do mundo,
(E por que nunca mencionando o nosso?)
Numa resfriadíssima manhã de março,
Os ponteiros de relógio quase dalí,
Tomaríamos água como vinho,
E riríamos de nossa embriaguez forjada,
Deliciar-me-iria em tuas coxas,
Como troncos de árvore jovem,
Os pelos muito negros na pele muito branca,
Crescendo displicentes sobre um campo minado,
E sorrindo ao sentir o gosto da sua pele:
- Mistura sal e sândalo, e teu sexo lembra algo amargo como um uísque.
Minhas mãos passeiariam por teu peito aberto,
Pronto para coisas tão distintas quanto uma faca prateada e um beijo argentino.
Deitaria sobre ti, enrolada em um casulo feito de felicidade, suor e qualquer outra coisa lírica e leve como uma pena.
Você beijaria minhas faces e diria o quão oportuno lhe pareceria aquele encontro.
- Certa vida eu fui uma dama de companhia de um pretenso e ardiloso senhor indiano (você me diria). Ele me tinha não pela força ou pela circunstância, mas pela maior e mais distante prisão que o coração pode conhecer. Suas migalhas cheiravam-me um banquete. Seu desprezo me era um incenso, que nunca se esgotava e espalhava seu odor como um agouro de sofrimento. Um dia ele morreu em meio a um duelo, e meu corpo sangrou por ele. Por longos doze anos eu vivi sem um ar, sem um coração, me recusando ser tratada e ser vista. Morri aos pés de uma grande árvore que crescia em nosso jardim, em sua época de perder as folhas, e por dias e noites meu corpo foi sepultado pelo vento e pelas folhas amarelas e vermelhas. Chamavam-me de "a dama do véu perene", porque por longos anos recusei deixar o que sentia para trás. Segundos depois fui um inseto brasileiro, que viveu tempo o suficiente para amar seu semelhante. Lembro de pousar sobre os cílios de uma jovem, e sua piscadela me foi o encontro comigo mesmo.
- Você amou?
- Amei, porque o verdadeiro amor não questiona a pequinez e irrelevância de ser, e não porque se perca em estupidez, mas sim porque eleva-se ao rol da loucura inconsequente por sua vital existência. Literalmente enlouquece por existir. E faz muito bem em nem ao menos querer entender nada além de si, porque nada é maior que o amor, "que move sol e estrelas". E o único farfalhar de brisa que transpassou meu diminuto corpo físico foi como o abraço de morte e do delírio que, juntos, me chamavam para uma longe e instigante viagem.
- Se pudesse, voltaria como quem?
Ele fechou os olhos e sua face lembrou-me a esfinge dos Pirineus, somente viva no Sonhar. Morreu por alguns segundos e, quando o corpo lhe trouxe a vida, mirou as janelas abertas como braços de um gigante e disse:
- Eu nunca voltaria.
Como algo que é seduzido e roubado.
Sorriríamos um ao outro,
As faces ligeiramente coradas e o mundo ligeiramente aos nossos pés.
De teus lábios ouviria mil poemas sibilantes,
Contando os destinos do mundo,
(E por que nunca mencionando o nosso?)
Numa resfriadíssima manhã de março,
Os ponteiros de relógio quase dalí,
Tomaríamos água como vinho,
E riríamos de nossa embriaguez forjada,
Deliciar-me-iria em tuas coxas,
Como troncos de árvore jovem,
Os pelos muito negros na pele muito branca,
Crescendo displicentes sobre um campo minado,
E sorrindo ao sentir o gosto da sua pele:
- Mistura sal e sândalo, e teu sexo lembra algo amargo como um uísque.
Minhas mãos passeiariam por teu peito aberto,
Pronto para coisas tão distintas quanto uma faca prateada e um beijo argentino.
Deitaria sobre ti, enrolada em um casulo feito de felicidade, suor e qualquer outra coisa lírica e leve como uma pena.
Você beijaria minhas faces e diria o quão oportuno lhe pareceria aquele encontro.
- Certa vida eu fui uma dama de companhia de um pretenso e ardiloso senhor indiano (você me diria). Ele me tinha não pela força ou pela circunstância, mas pela maior e mais distante prisão que o coração pode conhecer. Suas migalhas cheiravam-me um banquete. Seu desprezo me era um incenso, que nunca se esgotava e espalhava seu odor como um agouro de sofrimento. Um dia ele morreu em meio a um duelo, e meu corpo sangrou por ele. Por longos doze anos eu vivi sem um ar, sem um coração, me recusando ser tratada e ser vista. Morri aos pés de uma grande árvore que crescia em nosso jardim, em sua época de perder as folhas, e por dias e noites meu corpo foi sepultado pelo vento e pelas folhas amarelas e vermelhas. Chamavam-me de "a dama do véu perene", porque por longos anos recusei deixar o que sentia para trás. Segundos depois fui um inseto brasileiro, que viveu tempo o suficiente para amar seu semelhante. Lembro de pousar sobre os cílios de uma jovem, e sua piscadela me foi o encontro comigo mesmo.
- Você amou?
- Amei, porque o verdadeiro amor não questiona a pequinez e irrelevância de ser, e não porque se perca em estupidez, mas sim porque eleva-se ao rol da loucura inconsequente por sua vital existência. Literalmente enlouquece por existir. E faz muito bem em nem ao menos querer entender nada além de si, porque nada é maior que o amor, "que move sol e estrelas". E o único farfalhar de brisa que transpassou meu diminuto corpo físico foi como o abraço de morte e do delírio que, juntos, me chamavam para uma longe e instigante viagem.
- Se pudesse, voltaria como quem?
Ele fechou os olhos e sua face lembrou-me a esfinge dos Pirineus, somente viva no Sonhar. Morreu por alguns segundos e, quando o corpo lhe trouxe a vida, mirou as janelas abertas como braços de um gigante e disse:
- Eu nunca voltaria.
