De que maneira conseguiremos nos vingar do mundo?
Como legitimar o sofrimento?
Como tornar esse sofrimento verdadeiro além do exaustivamente repetido e digerido?
Pisar.
Estraçalhar.
Desmembrar.
Arrancar as vísceras e devorá-las, saboreando o gosto do eu nas carnes mais animais e menos humanas possíveis...!
Como aceitar a significação de um eu íntimo e patético,
como não permitir um amargor com gosto de cinzas invadir seu corpo,
quando a consciência de sua própria amargura é tão visível que o choca...?
Por que a loucura não nos invade como uma doença?
Por que o refúgio da insanidade tem um preço tão caro?
Por que uma matilha não nos encurrala e nos estraçalha?
Qual é o propósito dessas atitudes medrosas e simplistas, dessa teatralização das ações que neste exato momento protagonizamos?
Formaremos um Congresso Internacional...
... do nada?
Delimitamo-nos dolorosamente quando dispomos apenas do velho, do usado, das mesmas palavras antigas?
A que conhecimento buscamos além da compreensão de nossos limites e, por consequência, de nosso fracasso?
Somos impotentes ou preguiçosos?
Há melancolia ou solidão?
Em que instância toda essa idiotice se processa?
Somos dignos de pena ou de riso?
Qual a razão do remorso além de legitimar a culpa?
Podemos nos enterrar em um casulo e produzir um novo conhecimento autônomo?
Há razão na escolha pelo silêncio?
(Porque o silêncio é o deserto da consciência...)
Sintamos medo do meio pelo qual nos exprimimos.
Temamos a palavra.
Que nós receemos a língua, porque lhe somos escravos.
Busquemos o ignóbil prazer da ignorância.
Onde a felicidade repousa sobre fluidos e secreções...
Onde o tudo seja válido...
