segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Rapina

"Mas o medo da loucura, Jeanne, só o medo da loucura nos levará a ultrapassar as fronteiras invioláveis da nossa solidão. O medo da loucura destruirá os muros da nossa casa secreta e projectar-nos-á no mundo à procura de contactos ardentes" (A casa do incesto, de Anaïs Nin).

Ou:

Fingiríamos, até que a mentira penetrasse tão fundo que, ao olhar para si mesmo diante de seu reflexo, seus olhos já não mentissem mais, inebriassem-se, enturvassem-se, nublassem-se. Sua humanidade latente, três ou quatro princípios de si, mas mentiria sobre, sem remorso de viver no pecado. Até que, consumido pelo hálito da madrugada, abraçado pela fumaça e pelos odores espirais, seus olhos encontrassem o nada, e é como se alguém repuxasse sua alma, fungando próximo à sua boca, mostrando os dentes de garuda e sussurrasse: "Não mintas, não mintas mais..."

Mas sabemos que já não conseguimos.



 
 
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